sexta-feira, 24 de abril de 2009

VERA NUNES -FEIRA DE ANTIGUIDADES - MuBE




VERA NUNES Entrevistada em 19/04/2009

Desde menina sempre pensou em estudar, fazer as obrigações de casa e depois ir brincar. Sempre fui muito caseira, afirma. Depois de muitos anos tornou-se grande livreira, conceituada no ramo das antiguidades. Veio de Belo Horizonte para São Paulo, onde se estabeleceu, salienta que continua caseira e ainda se diverte muito, sua profissão é muito emocionante. É difícil, mas prazerosa, educativa, instrutiva e muito dinâmica.
O movimento em sua vida de livreira lembra sua infância. Vera Nunes diz que gosta e tem muito prazer em atender as pessoas que a visitam. O movimento é grande, pois além de comercializar livros e gravuras, ainda administra a encadernadora junto com seu sócio, o Senhor Domingos, um grande profissional, um dos melhores do Brasil atualmente.
Formada em Jornalismo, lembra que não se sentia como a melhor aluna na faculdade, mas sempre gostou muito de aprender.
As circunstâncias a levaram a optar pelos livros. Iniciou sua carreira aos dezessete anos com o livreiro Pedro Corrêa do Lago. Ela trabalhava com as gravuras, disse que era por conta da estética e do valor documental, o belo da gravura a atrai mais do que de uma tela, as pessoas precisam de muita sensibilidade para aprender a ver uma bela peça e saber se é ou não original.
Para a Vera o livro é como uma árvore frondosa: com muitos galhos, folhas, flores ou frutos, que protege, ela embeleza e ainda é eterna. O livro representa a própria pessoa do autor e todo seu melhor seu suprassumo, tudo acontece também com o leitor que se identifica com o autor, fica como uma corrente, penso que isso mesmo, diz a Vera.
Depois que começou a trabalhar com livros sua vida mudou muito, afirma a antiquária, ficou muito mais rica. Preciso do livro para me instruir e ganhar o conhecimento necessário para me atualizar e seguir trabalhando.


Estar junto dos livros é uma indispensável maneira de viver que eu mesma acabei escolhendo. Os livros me perseguem e eu não fujo deles. Nós nos encontramos na livraria afirma sorrindo. Salvar o livro da cultura do ostracismo ou dos desmanches, é ato de heroísmo, não teve modéstia em afirmar que é sua função. Comigo os livros ganham aconchego e proteção.
Muitas obras raras já passaram por suas mãos: lembrou-se da obra de Spix & Martius intitulada “Reise In Brasilien” foi uma das mais importantes. Ela assinalou também autores com Debret, Maximilien, Van Hagem, Bleau, etc.
Com clientela muito restrita, colecionadores e decoradores a procuram para examinarem seu acervo, muito precioso e bem preservado. A qualidade é muito importante, mais do que quantidade. Muitas vezes quando o cliente a questiona sobre determinada peça e fica satisfeito com a resposta, não hesita em adquirir a obra. Neste caso a credibilidade do antiquário é essencial, o cliente sempre acaba levando a peça.
Seu acervo é comercial, mas nada impede que seja apreciado como permanente ou como de um museu. Com o tempo vai se enriquecendo sempre mais. Eu sou sua guardiã, tal qual alguém já foi em outros tempos, a continuidade de tudo ainda não foi definida, mas com certeza, como aconteceu comigo alguém virá a ocupar meu lugar.
Todos os domingos eu venho a Feira de Antiguidades - MuBE, para estar mais próxima do publico e poder contribuir com minhas melhores peças para a qualidade do evento.

Líbano Montesanti Calil Atallah

Líbano Montesanti Calil Atallah

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