segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

JUAN RIVAS VARELA - TV ARTPONTO

sábado, 7 de novembro de 2009

 

JUAN RIVAS VARELA



Neste belo domingo de 27/09/2009, já era mais ou menos três horas da tarde, quando consegui me aproximar de Juan Rivas. Ele estava sentado no stand do Sr. Maldonado, juntos para uma conversa em espanhol. É normal para exercitar o idioma e recordar velhos tempos. Esses dois antiquários não são brasileiros. Vieram de muito longe: senhor Maldonado é boliviano e o Rivas espanhol. Ambos vieram para construir a vida aqui no Brasil e obviamente passar-nos as experiências que trouxeram em suas bagagens.

Eu pedi ao Rivas para me conceder uma entrevista, não teve nenhuma dúvida ele gostou da idéia. Eu contei com o apoio de seu colega, que anteriormente já havia sido entrevistado. Com a audição já um pouco abalada, veio para ajudar nesta conversa, a filha Andrea Rivas, foi por iniciativa do senhor maldonado, que a convidou.

Na Espanha, mais precisamente em San Tiago de Compostela, começa a história de Juan Rivas Varela, quando já muito novo ainda ajudava o pai em suas atividades de escultor, é tradicional, toda a família, de nove irmãos e três irmãs trabalham no ramo. Apenas dois vieram para o Brasil. Os outros todos ficaram por lá. Um deles é professor de escultura em pedra, é muito conhecido em toda a Espanha.

Eu tinha vinte seis anos quando embarcamos em um navio que vinha para o Brasil, tínhamos planos eu e meu irmão, o Brasil seria um porto seguro, sabíamos que nosso trabalho seria bem solicitado por aqui. Nossa experiência com a arte da escultura era necessária, porque o Brasil estava progredindo e em muitos lugares construíam-se igrejas. Os temas sacros eram mais importantes e exatamente onde nós éramos mais hábeis. Nossos antepassados eram escultores sacros e isso foi um legado que nós herdamos.

Eu não assino minhas obras, nesse ramo, os artistas sacros não têm esse hábito. Eu trabalhei para muitas igrejas, os padres da Opus Dei sempre me encomendaram trabalhos. Tem um que me vem à mente nesse momento que é a Capela da Aldeia da Serra, foi um empreendimento do arquiteto Takaoka. Coube a mim, executar todo o altar. Lembro-me que trabalhei na igreja do bairro do Sumaré. Eu faço muitos trabalhos de restauros também. Tenho muita prática. Minha formação foi assim aprendendo com o próprio trabalho, no dia-a-dia. É verdade que estudei Belas Artes, mas aprender mesmo foi ajudando meu pai, foi ele que me ensinou tudo na pratica.


Minha especialidade era escultura sacra, mas também fazia os Negros Tocheiros Venezianos, mesas e outras peças de mobiliário decorativo. Essas peças chamadas Black-amour eram muito procuradas, hoje nem tanto. Era preciso trabalhar muito para atender pedidos de decoradores e arquitetos.


Eu perguntei ao nosso antológico entrevistado se poderia destacar alguma obra sua que tivesse mais destaque, para aguçar a curiosidade de nossos leitores. Ele, em sua modéstia afirmou apenas que fez muitos altares e vias sacras de igrejas. Não quis destacar nomes.

Nós podemos notar que o importante é sabermos que as obras produzidas por Juan Rivas Varela são realmente de ótima qualidade técnica. Eu mesmo vi algumas expostas em seu stand.

Notei também enquanto conversava com nosso entrevistado que enquanto trabalha em suas produções, compenetrado, acaba por se incomodar com visitas, reconhece que são importantes, mas não gosta de interromper sua produção.

Eu sou também antiquário, comprei e vendi muitas peças. Dediquei-me ao mesmo tempo a colecionar. Nosso acervo é muito amplo. Estamos neste momento tombando tudo para depois decidir seu destino.


Juan Rivas abre um parêntese para dizer que sua obra mais importante é sua filha Andrea Rivas, ela me anima, me faz companhia e me ajuda, agora mesmo está acompanhando essa entrevista. Muitas coisas que aconteceram eu não consigo lembrar. Andrea é administradora de empresas e tem emprego. Eu sou mais artista, mas ela consegue arranjar tempo para me ajudar também.

A própria Andrea, quando não está viajando a trabalho cuida do acervo diz que já está aos poucos iniciando sua experiência como antiquária, apesar de que na sua infância ajudava seu pai Juan em suas atividades ateliê. Estou mais participativa e tenho projeto para fundar uma boa loja de antiguidades.

Meu pai era o artista mais solicitado pelos padres, afirma Juan Rivas, era ele que executava as esculturas de santos que eram usados nas procissões da Semana Santa. Era ainda segunda metade do século dezenove quando meu pai, José Rivas já produzia com muito afinco essas imagens. Incrível pensarmos que até hoje, as mesmas peças são usadas nas datas festivas.

O escultor Aurélio Rivas, meu irmão, no país Basco, o mesmo que já citamos, está fazendo o levantamento da obra de nosso pai, conta-nos Juan Rivas, isto com o apoio da prefeitura de Santiago de Compostela, com projeto aprovado para uma obra histórico-literária, catálogo e site e também batizar uma rua com seu nome.

O fato é que nosso nome é tão importante que meu tio, escultor em Vitória, no país Basco, o mesmo que trabalha com pedras, está neste momento estudando toda a obra de nosso avô para elaborar um documentário e em seguida publicá-lo. A prefeitura de San Tiago de Compostela já aprovou o projeto para dar seu nome a uma rua.

Com o tempo eu consegui guardar um grande acervo, parte dele será preservada em coleção particular, a Andréa já deixou alguma coisa em sua casa. Mas a outra metade irá possivelmente para a futura loja. Que está sendo projetada.


Andréa Rivas afirma que tem muito interesse no assunto, que dará importância ao trabalho e obra de Juan Rivas.

Quem sabe escreverei um tratado da obra de meu pai também!

Líbano Montesanti Calil Atallah
libanoatallah@terra.com.br
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