segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

MAX SOUZA - TV ARTPONTO

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

MAX SOUZA

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8142-8288

Desta vez essa entrevista é com Max Souza, importante antiquário do Rio de Janeiro. Não foi difícil sentarmos para uma conversa. Estávamos vizinhos de stand. Por isso enquanto aguardávamos interessados em alguma peça exposta, ou para respondermos alguma consulta, fomos trabalhando. Max é muito sociável, não se preocupou em falar sobre sua carreira no ramo das antiguidades.
O antiquário está em São Paulo para expor com os antiquários do MuBE, a cada quinze dias. Durante os dias de semana trabalho em minha loja instalada no Shopping Siqueira
Campos, sobre loja 76. “MAX Antiquário”.
Já estou no ramo há vinte cinco anos.
Foi por incentivo de meu tio Átila Souza, ele já era antiquário no Rio, sócio do famoso Manoel Guimarães.
Eu comecei a trabalhar com ele, fui aprendendo e ganhando a convivência com as artes, é sempre uma escola. O tempo passou a depois de três anos acabei virando sacoleiro. Era o nome que se dava aos antiquários que viviam de comprar e vender antiguidades. Eu era um deles: comprava num e vendia no outro.
Ganhei mais experiência ainda. Errei e acertei, mas apanhei muito. Muitas vezes por eu não ter dinheiro, o antiquário abria a porta e me mandava sair. Era humilhante. Quando vendia algo respirava um pouco e continuava meu trabalho. Meio devagar, mas caminhava para melhorar.
Passei a trabalhar com o antiquário Antonio Caetano, fui para a Praça XV, depois Shopping Iguatemi, e nessa mesma época, tempo em que a Feira do MASP mudou-se para o Mappin, no bairro do Itaim em São Paulo.

Muito bem! Até sete anos atrás eu vivi nessa roda viva, finalmente fiquei então sócio de Ricardo Couto, também antiquário no Rio de Janeiro e somente agora eu trabalho sozinho.
Tem um caso curioso que eu quero contar: peguei em consignação um quadro consignado com um antiquário e vendi a um galerista logo em seguida. Era um quadro europeu magnífico, retratava uma marinha. Cheguei em casa e resolvi pesquisar, não me lembro do autor, mas o quadro valia muito mais. Só comigo! Muitas peças que vendi nas feiras, saíram bem barato, mas proporcionei aos compradores bons negócios, assim formei minha clientela, que me é fiel, mas que está sempre à procura de bons negócios.

Hoje estou mais preparado e procuro sempre, permitir que descubram em meu acervo alguma peça curiosa e que ao mesmo tempo se quiserem vender possa fazê-lo e conseguir algum lucro. Minha proposta é incentivar o investimento, aos meus clientes e em obras de arte.
Eu sou antiquário, mas dentro do ramo eu não atuo com uma especialidade especifica, trabalho com tudo: prata, porcelana, quadros, mobiliário, bronzes, vidros, arte sacra, marfins, lustres, tapete, gravuras, etc. Estou sempre à caça de uma peça rara. Mesmo lendo bastante, olha, não há como fugir dos livros, é muito difícil não falhar, como já narrei acima, alguma peça importante às vezes passa pelas minhas mãos e eu não noto.
Sobre tapeçaria realmente, para mim fica muito difícil, não entendo nada apesar de já ter comprado e vendido boas peças.


Eu não me preocupei em formar um acervo particular, procuro não concorrer com minha clientela, vendo tudo, mesmo porque estou sempre à busca de lucro. Não creio que seja muito ético retirar peça da loja para escondê-la em casa. Trabalho o máximo que posso para renovar o acervo e poder oferecer o melhor aos meus colecionadores. Tenho peças de Tiffany & Co. Bacarat, Sterling, Cia. Das Índias, Gallé, Daun Nancy, etc.
Já tive uma Floreira que era da coleção de D.Pedro II, tinha uma uns três metros de altura. Essa peça foi vendida no leilão do Passo Imperial.
Nunca ganhei muito dinheiro, mas com as peças raras que passaram pelas minhas mãos obtive algum lucro. Porem nada de espetacular. Tenho um acervo em exposição não é grande, mas proporciona alguma freqüência.
Aqui em São Paulo tenho muito cliente. No Rio de Janeiro compro mais, mas a vendas são mesmo por aqui.
Ainda não produzi um projeto cultural, como exposição, escrever um livro ou alguma obra para a posterioridade, limito-me a comercializar apenas. Mas não descarto a possibilidade de elaborar um projeto nesse sentido.
Tenho um casal de filhos, não espero que não entrem nesse ramo, é muito sacrificante, desgasta gente pela ansiedade, nunca se sabe quando vai se vender o onde encontrar capital quando de repente aparece uma peça muito importante e valiosa e que não se pode perder a oportunidade de comprar. É um ramo muito incerto.

Nós ganhamos Know now. Um dia quem sabe eu consigo um bom acervo e as coisas mudem. É cedo ainda para definir o que vai acontecer realmente.
A gente sempre espera alguma surpresa, olha, boa mesmo!
Persistir no ramo das antiguidades, comprar e vender, estudar sobre as coisas que despertam a curiosidade, tentar resgatar alguma peça importante. È a minha vida. Nem consigo pensar em férias. Trabalho o tempo todo.
Tenho muita curiosidade. Todo ambiente que entro, eu olho tudo, não sei se é falta de educação, mas sou assim, muito curioso.



Essa semana mesmo; fui ao morro de Santa Tereza, a chamado, só para ver um pilão de madeira do século XIX. Mas eu tinha a esperança de encontrar outras antiguidades. Não é que tinha mesmo! Tinha lá uma Santana, a principio, não acreditei muito, mas como já tenho essa intuição, vou mesmo para descobrir raridades.
Era uma imagem de Pernambuco original e muito bonita, tinha as mãos e rostos em marfim. Tinha lá também uma mesa cavalete também do século XIX, pratas brasileiras, não era proposta de a pessoa vender, ainda. Entendi bem, mas quem sabe algum dia serei chamado novamente.
Vou a todo lugar que sou chamado, não descrimino, não deixo preconceito vencer.
Quero mesmo um dia ser reconhecido como antiquário de renome, respeitado, tradicional e com um acervo admirável e cobiçado pelos grandes colecionadores.

LÍBANO MONTESANTI CALIL ATALLAH

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